Minhas experiências na França

Há algumas semanas minha querida amiga Mariely, da qual estudamos juntos na ETEC de minha cidade-natal, me pediu um pequeno textos sobre minhas aventuras pela França em meu período de intercâmbio. Demorei um pouco (disculpaê miga), mas aqui vai um texto que penso que será mais interessante que minhas aventuras. Falar sobre as experiências num outro país é uma coisa que todos, todos, fazem, e hoje entendo porquê: a saudade da terrinha e o encanto (que mesmo após se acostumar, sempre vem fazer uma visita) dão uma vontade de compartilhar com todo mundo, seja para falar “tô bem”, seja para contar as novidades. Enfim, estes encantos aparecem em momentos meio inusitados, que pode ser uma surpresa ao ver que você está naquele lugar que todo mundo já viu na TV e tem muitos anos de história, ou pode ser algo engraçado de nossas diferenças.

Escola de Arquitetura em Grenoble, França
Minha atual escola – Escola de Arquitetura em Grenoble, França – Foto: Gabriel Tunes

A diferença cultural, mesmo que nos pequenos hábitos, proporciona alguns momentos engraçados e divertidos apenas pelo prazer de ver que eles fazem algo diferente de nós (ou nós que fazemos diferente deles, é relativo). Tudo começa ao sair de casa, você tromba com uma pessoa que caminha na calçada, e logo na esquina, ao esperar um carro atravessar, você leva bronca de quem dirige pois a preferência é do pedestre. Aliás, os meios de transporte por aqui são dos mais alternativos possível, começando pela popularidade da bicicleta (que em Grenoble é mais visado para roubos que os carros), que muitos usam para fazer tudo, desde o habitual trajeto casa-trabalho-casa até festas na casa de amigos (ou no bar ou outro evento mais fino). Mais o mais engraçado é ver pessoas vestidas com ternos, saias, lenços, saltos altos ou mesmo gravatas andando pelas ruas com seu patinete, este sim um meio de transporte para aqueles que vivem perto do trabalho mas querem chegar rápido. O que para nós era um brinquedo de criança nos anos 2000, aqui é meio de transporte em 2015.

Alugar bicicleta na França
Esta é a minha bicicleta. A cidade aluga por um bom preço aos que não desejam comprar uma (como eu, que vou morar só um ano) – Foto: Gabriel Tunes

“Todo francês usa uma boina, um cachecol e tem uma baquete debaixo do braço”. Este clichê que temos do francês é meio que verdade, mas não funciona como pensamos. Por aqui onde estou, uma cidade ao pés dos Alpes, faz um friozinho suficiente para sempre estarmos bem agasalhados mas nem tanto (em outras palavras, o outono por aqui mais parece nosso inverno rigoroso). Com isto, proteger a cabeça e o pescoço é algo necessário para estar ao ar livre: boinas, cachecóis, chapéus, echárpes, gorros, lenços e outros acessórios são muito bem usados aliás esquentam bastante. E daí, quando chegamos em algum lugar, nos despimos de vários casacos e coisinhas. Daí quando esquenta um pouquinho, voltamos para casa com as blusas no braço. Num dia, quando voltava para casa, reparei numa pessoa com uma sacola cheia num braço e a blusa noutro uma baguete debaixo do braço. Depois disso percebi que as baguetes debaixo do braço aparecem em pessoas com mãos ocupadas. A questão da praticidade sobressai neste clichê.

Minhas experiências na França
Sempre na grama. Sempre – Foto: Gabriel Tunes

Cantar “Parabéns pra você” é sem palmas. A privada fica num lugar e a pia e o chuveiro fica noutro. Dar dois beijinhos no rosto ao cumprimentar um amigo é obrigatório, seja homem seja mulher. A salada se come depois do prato principal. Cachorros são muito importantes.

Jovens são iguais por todo mundo, temos hábitos e vontades que são compartilhadas não importa onde seja. Os quartos são sempre uma bagunça, mas sabemos muito bem onde achar algo no lugar específico. Dormir tarde é obrigatório, afinal, temos que fazer alguma coisinha com os amigos em nosso tempo livre (a famosa tríade estudar – vida social – dormir). E gírias sempre presentes, porém aqui a regra é mais fácil: inverter as sílabas das palavras: logo “merci” (obrigado) vira “cimer” (valeu). Quando algo é díficil quer dizer que algo “é quente, cara” (c’est chaud, mec). Ou mesmo quando preferimos não ir à aula para beber com os amigos ou mesmo estudar, eles não “matam a aula”, eles simplesmente a “secam” (sécher le cours). E não pode esquecer de dizer “e daí” ou “tipo assim” (du coup) em todas as frases (aliás, acho que escuto mais “du coup” do que “voilà”).

Aliás, ainda nas manias da fala, o tal do “oh là là” faz parte do vocabulário de todos. É o nosso “Nossa!”, e ele funciona exatamente como aqui: nas situações que nos impressionam um “oh là là” aparece e quando é alguma coisa que é inexperada e nos deixa em choque sai um “oh là là là là là là”. E o “oh” do “oh là là” se pronuncia como um “ó” ou como um “u”, senão eles não entendem o que você quer dizer (ou vão só rir de seu sotaque não francês).

Imagino que também devemos ter hábitos que os estrangeiros acham bem engraçados na gente e penso isto que nos faz sermos interessantes neste grande mundo. Vamos aproveitar e viajar meu povo, conhecer estas estranhas e incríveis diferenças e aprender com elas. Beijos.

Gabriel TunesEscrito por Gabriel Tunes
Gabriel Tunes é estudante de arquitetura e urbanismo. Desde julho de 2015 faz intercambio em Grenoble, na França. Retornará ao Brasil em julho de 2016.

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1 Comment

  1. Chell says:

    Essa da salada depois eu não sei não hahaha eu fui pra Paris e em todos os lugares a salada veio antes do prato auhauahau

    Adorei ler suas experiências, pude me lembrar um pouquinho da minha viagem do ano passado =D

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